no encerramento da Assembleia
«Seremos capazes<br>de abrir caminho <br>a um Portugal com futuro»
«Sabemos que os combates que se perfilam no horizonte são duros, mas nós temos confiança que, unidos e com a luta do nosso povo, seremos capazes de abrir o caminho a um Portugal com futuro.» Foi com esta afirmação, plena de determinação, que Jerónimo de Sousa terminou a intervenção com que encerrou a 9.ª Assembleia da Organização Regional de Setúbal do PCP, realizada no domingo em Almada.
Já antes, após descrever o exigente «caderno de encargos» que está colocado aos comunistas, o Secretário-geral do Partido tinha sublinhado que para travar e vencer todos estes combates será necessária uma «grande disponibilidade» por parte dos militantes, na região como no País. A reacção entusiástica a estas palavras, por parte das centenas de comunistas que enchiam por completo o anfiteatro da centenária Academia Almadense, deixou bem claro que o colectivo partidário está empenhado nestes exigentes e exaltantes objectivos.
Uma das mais importantes tarefas que os comunistas têm perante si, até pela importância que assume para a concretização de todas as outras, é o reforço da organização e intervenção do Partido. Para Jerónimo de Sousa, este reforço é mesmo «vital para conduzir a luta que se impõe em todas as frentes»: no trabalho unitário, no desenvolvimento da luta e das organizações e movimentos de massas; na intensificação da intervenção política do Partido visando a derrota do Governo e da política de direita; na preparação e realização das eleições legislativas.
Confiança e determinação
A concretização das orientações do XIX Congresso do Partido referentes ao reforço do Partido, patentes na Resolução do Comité Central «Mais organização, mais intervenção, maior influência – um PCP mais forte», é uma tarefa a merecer o «grande empenhamento» dos organismos e militantes, acrescentou. Prioritária é, desde logo, a conclusão da acção de contactos com os membros do Partido, sublinhou Jerónimo de Sousa: esta acção «permitiu-nos conhecer melhor a organização, ligar de forma organizada mais militantes, potenciando a nossa influência», o que teve como uma das consequências mais visíveis os quase 700 novos militantes que entraram para o Partido, na região, nos últimos quatro anos. Ainda assim, como a própria assembleia reconheceu, está-se ainda «aquém das possibilidades de alargamento das nossas fileiras», lembrou o Secretário-geral.
A estruturação da organização partidária, o reforço da organização e intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho, a dinamização das organizações locais, a melhoria do trabalho junto de outras camadas, sectores sociais e áreas de intervenção, a intensificação da difusão da propaganda e da imprensa do Partido, a defesa e reforço da independência financeira são outras questões decisivas. Reafirmando a necessidade e possibilidade de reforçar o Partido, Jerónimo de Sousa confia que com a participação e empenho dos militantes «vamos consegui-lo».
Lutar pela alternativa
No início da sua intervenção, o dirigente do Partido tinha já chamado a atenção para o facto de, este ano, se somar às tarefas constantes de dinamização da luta, intervenção política e reforço do Partido, uma «importante batalha eleitoral, cujo desfecho vai determinar, em grande medida, a evolução no imediato da situação política no País».
Rejeitando que o País esteja a «dar a volta», como afirma o Governo, Jerónimo de Sousa garantiu não haver margem para ilusões. «A prosseguir este Governo de Passos e Portas, a manter-se esta política das troikas sem troika pelas mãos do PSD e do CDS ou por outras que as tomem no essencial como suas, como o PS – que, passados os desabafos de esquerda, quer a alternância do poder mas não a alternativa –, os portugueses só podem esperar o pior»: mais ataques aos salários, às reformas e pensões; à segurança social, à saúde e à educação; à legislação laboral; mais venda do País ao desbarato.
Para o PCP, sublinhou Jerónimo de Sousa, uma coisa é certa: «não há saída para uma vida digna para o nosso povo sem ruptura com as regras do Tratado Orçamental, sem renegociar a dívida, sem uma nova política patriótica e de esquerda.»
A intensificação da luta dos trabalhadores e do povo – que enfraqueceu e isolou o Governo – é essencial para derrotar a política de direita e construir uma alternativa de progresso e justiça social. As grandes lutas e as mais modestas, valorizou, afirmando que «é do pequeno que se faz grande, é pelos afluentes que o rio se alarga e avança».